Finalmente decidi voltar a blogar. Desta vez, no entanto, eu planejo focar em vários tópicos [threads] – alguns ainda vagos e alguns já convergidos – de minha pesquisa filosófica. Acredito que ideias devem ser manejadas impessoalmente, particularmente na ciência e filosofia. Por essa razão, não estou convencido de manter os componentes de uma uma pesquisa em curso em segredo. Se as pessoas podem basear suas ideias mesmo quando suas ideias ainda estão em seu estágio larval, então não importa se elas referenciam a você ou não. Contanto que suas ideias e conceitos possam ser reforçados, refinados e propagados, o plágio é mais uma virtude que um vício. A tarefa de um filósofo é ressaltar o duro fato de que o conceito é aquilo sobre o que nenhum ser humano tem um controle final. Portanto, toda a obsessão com trabalhar em segredo, mantendo as coisas no armário até que o livro seja publicado, é absurda. Para levar o conceito de código-aberto a sério, deve-se primeiro levar a ideia de um si mesmo [self] com código-aberto a sério. Nesse sentido, nós estamos longe do ideal wulfiano de um colaboratório global, ainda que a internet tenha efetivamente derrubado alguns dos muros. Então para esse fim, o meio [medium] do blog me dá a quantidade certa de controle ao conduzir minha pesquisa e abrí-la às pessoas que tomam ideias como ferramentas de modo a fazer ferramentas melhores que possam ser postas em serviço do pensamento em geral.
Então quais serão os futuros posts neste blog? No momento, estou planejando distribuir uma parte maior disso para a filosofia sistemática da mente, isto é, uma família de correlações fundamentais: inteligência e o inteligível [intelligable], estrutura e ser, teoria e objeto, linguagem e o mundo. Nesse sentido, o que eu quero dizer por filosofia sistemática da mente é na verdade a filosofia sistemática (o órganon da teoria) ela mesma, formulada em diferentes formas desde Platão e Confúcio até Descartes, Hume, Kant e Hegel, e mais recentemente Lorenz Puntel e Uwe Peterson. Dentro desse quadro, eu gostaria também de escrever sobre filosofia da ciência (particularmente meus heróis Wolfgang Stegmüller e Adolf Grünbaum), lógica e computação, e Os Elementos de Euclides. O último é mais um interesse pessoal de minha parte do que um tópico explicitamente encaixado no quadro mencionado acima. No entanto, acredito que Os Elementos é a primeira obra que se empenha em integrar o pensamento formal e o pensamento sistemático e, em fazê-lo, abre novos caminhos para as questões da estrutura e teoria. Tenho lecionado sobre Os Elementos em um número de cursos, eu sempre digo a meus alunos que eles devem se ocupar d’Os Elementos não somente como um tratado matemático, mas também como um thriller filosófico, um exercício em fazer mundos e conceitos usando um punhado de dados ou axiomas intuitivos. A esse respeito, o plano é apoiar em alguns dos melhores comentários sobre Os Elementos como uma espécie de universo da filosofia de brinquedo (bastante sobre esse tópico no próximo post). Minhas referências imediatas são o comentário de Proclus assim como os ensaios seminais de Kenneth Manders e Danielle Macbeth.
Somado a isso, haverão algumas postagens sobre a ascese do autodidatismo particularmente para aqueles que são inclinados a se tornar filosófos e sobreviver no mundo para-acadêmico onde as finanças estão sempre próximas ao zero, padrões são enevoados pelo ódio da academia e o rigor ainda é uma palavra tabu, e mesmo assim as ideias não fedem nas masmorras obsoletas da academia. Quanto à forma e ao estilo, bem, as postagens irão oscilar entre formais e informais, ensaios e divagações, pregações e reprimendas: em suma, a missão desse blog é a compreensiva corrupção da juventude.